Ernestine Jane Geraldine Russell
Nascimento: 21 de junho de 1921
Falecimento: 28 de fevereiro de 2011
Origem: Bemidji, Minnesota, EUA
Ernestine Jane Geraldine Russell nasceu em 21 de junho de 1921, em Bemidji, Minnesota, mas cresceu no sul da Califórnia. Filha de um ex-sargento do exército e uma atriz de teatro amador, Jane desde cedo aprendeu a se virar sozinha. Após a morte do pai, ela trabalhou como recepcionista e modelo para ajudar a família. Sua beleza exuberante – 1,70m, cabelos castanhos e curvas generosas – chamou a atenção do bilionário Howard Hughes, que a escalou para The Outlaw, um faroeste dirigido por Howard Hawks. O filme ficou famoso por uma cena em que Hughes projetou um sutiã especialmente para realçar (ou conter) o decote de Jane – algo que ela odiou e raramente usou. Lançado apenas em 1943 após anos de censura, The Outlaw fez de Jane Russell um ícone instantâneo, embora os críticos tenham se dividido entre acusar o filme de apenas explorar seu corpo ou elogiá-lo como um marco de liberdade sexual.
Apesar do início conturbado, Jane mostrou que tinha muito mais a oferecer. Nos anos seguintes, ela estrelou comédia e musicais de sucesso, como Palmy Days (não, na verdade The Paleface (1948) ao lado de Bob Hope, onde revelou um talento cômico surpreendente. Mas o papel que a consagrou para sempre foi o de Dorothy Shaw em Os Homens Preferem as Loiras (1953), de Howard Hawks. Contracenando com Marilyn Monroe, Jane interpretava a melhor amiga espirituosa e desbocada de Lorelei Lee. A dupla fez história com o número musical "Diamonds Are a Girl's Best Friend". O crítico do The New York Times escreveu na época: "Jane Russell é a âncora terrena e cínica que equilibra o sonho dourado de Marilyn – sua dicção perfeita para a comédia é uma surpresa agradável." O filme tornou-se um clássico e mostrou que Jane podia roubar a cena de qualquer atriz.
Fora das telas, Jane Russell teve uma vida pessoal turbulenta, mas de grande coragem. Casou-se três vezes, mas seu casamento mais estável foi com o quarterback Bob Waterfield, com quem adotou três crianças. Essa experiência a levou a fundar a World Adoption International Fund (WAIF), uma organização que ajudou milhares de crianças órfãs a serem adotadas – um trabalho humanitário que ela tocou por décadas. Em uma época em que Hollywood escondia gestações e divórcios, Jane falava abertamente sobre infertilidade, adoção e a importância de dar lares a crianças abandonadas. Essa faceta ativista contrastava com sua imagem sensual, mas para ela era o que mais importava. Em 1985, ela recebeu o Prêmio Humanitário do Hollywood Women's Press Club.
Jane Russell faleceu em 28 de fevereiro de 2011, aos 89 anos, em Santa Maria, Califórnia, vítima de uma infecção respiratória. Seu legado é duplo: como ícone de beleza que desafiou a censura do Código Hays, e como mulher independente que usou sua fama para causas sociais. A atriz e cantora Bette Midler, ao saber de sua morte, declarou: "Ela era tudo que se dizia – linda, engraçada e durona na medida certa. Mas também era uma das pessoas mais gentis que já conheci." Jane Russell provou que se pode ser pin-up e ativista, sensual e materna, tudo ao mesmo tempo. Seu nome continua sendo sinônimo de uma época em que Hollywood aprendia a lidar com mulheres que não se deixavam moldar apenas pelo estúdio.