Sinopse:
Tony Wendice, um ex-tenista profissional e marido que vive à custa da fortuna da esposa, descobre um caso de adulterio de Margot com um escritor. Em vez do divórcio, prefere tramar um crime perfeito: chantageia um antigo colega da faculdade para ajudá-lo, mas quando o plano meticuloso sai do trilho, o que parecia ser uma herança garantida se transforma num jogo diabólico de improvisação, mentiras e armadilhas.
Prêmios:
- Grace Kelly venceu o Prêmio NYFCC (New York Film Critics Circle Awards) de Melhor Atriz pela soma de suas performances em Disque M para Matar, Janela Indiscreta e A Menina do Interior.
Curiosidades:
- Disque M para Matar foi o único filme rodado inteiramente em 3D por Alfred Hitchcock. Na época (1953/1954), a tecnologia vivia um modismo passageiro, e Hitchcock usou o sistema proprietário All‑Media Camera da Warner Bros. Apesar do esforço, a maioria das salas exibiu o filme em 2D porque o interesse do público pela terceira dimensão já estava em declínio. O próprio Hitchcock brincou: “3D é uma sensação de nove dias, e eu entrei no nono dia.”
- O filme foi feito para cumprir uma obrigação contratual de Hitchcock com a Warner Bros., após o cancelamento do projeto The Bramble Bush que foi considerado muito caro pelos produtores. Em vez de resistir, o diretor viu na peça de Frederick Knott o material perfeito para um experimento cinematográfico rigorosamente controlado.
- A peça original estreou em 1952 como um especial de televisão na BBC, antes de chegar ao West End londrino (junho de 1952) e à Broadway (outubro de 1952), onde permaneceu em cartaz por 552 apresentações. Sir Alexander Korda adquiriu os direitos cinematográficos e os vendeu à Warner Bros. por US$ 75 mil.
- A Warner Bros. insistiu no 3D, muito embora a moda já estivesse em declínio. Hitchcock, convicto de que o filme seria exibido em formato plano, aceitou a imposição mas a transformou em ferramenta artística. Para conseguir os ângulos baixos exigidos pela câmera 3D, mandou escavar uma vala no chão do set, permitindo que a lente ficasse abaixo do nível do solo.
- A sequência de abertura — um dedo discando a letra M num telefone de disco — foi rodada com um dedo e um disco de telefone gigantes, construídos em madeira. O motivo: as câmeras 3D da época não conseguiam focar closes tão extremos em objetos reais.
- Hitchcock fez um esforço deliberado para filmar quase inteiramente em ambientes internos, com apenas pouquíssimas tomadas externas (envolvendo o inspetor Hubbard). O objetivo era criar uma sensação de claustrofobia e valorizar a teatralidade do material original.
- Grace Kelly, então com 23 anos, usou um faro impecável para os detalhes logo em seu primeiro filme com Hitchcock: recusou-se a usar um roupão caríssimo que o diretor havia escolhido para a cena em que atende ao telefone na cama, argumentando que nenhuma mulher colocaria uma peça tão luxuosa sozinha no meio da madrugada. Hitchcock acatou a sugestão e, a partir daí, permitiu que Kelly escolhesse todos os seus figurinos nos filmes seguintes.
- John Williams, que interpreta o inspetor Hubbard, ganhou o Tony Award de Melhor Ator Coadjuvante na Broadway pelo mesmo papel em 1953 e o reprisou no cinema nesse filme.
- A famosa participação especial (cameo) de Hitchcock é uma das mais difíceis de encontrar: ele aparece aos 13 minutos de filme, no canto esquerdo de uma fotografia de uma reunião de ex-alunos de Cambridge que Tony mostra a Swann. Por estar apenas na imagem, este é o último filme de Hitchcock em que ele não aparece fisicamente em pessoa.
- Embora rodado em 3D, o filme foi exibido na maioria dos cinemas em formato 2D porque a moda do 3D já havia desaparecido por completo em 1954, tornando a projeção cara e tecnicamente problemática.
- Em 2012, o filme foi reexibido no formato 3D original no Festival Internacional de Cinema de Toronto.
- Após Disque M para Matar, Hitchcock escalou Grace Kelly para mais dois filmes consecutivos: Janela Indiscreta (Rear Window, 1954) e Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955), antes de ela abandonar o cinema para se casar com o Príncipe Rainier de Mônaco em 1956.
- O crítico Andrew Sarris, do Village Voice, cunhou uma das frases mais citadas sobre o filme: "em 2D é um Hitchcock menor; em 3D, é um Hitchcock maior."
- O filme influenciou diretamente o remake Um Crime Perfeito (A Perfect Murder, 1998), estrelado por Michael Douglas, Gwyneth Paltrow e Viggo Mortensen, que atualizou a trama para o cenário financeiro de Nova York.
- A peça de Frederick Knott foi um fenômeno tão grande que, depois de Disque M para Matar, Knott só escreveu mais um grande sucesso — Wait Until Dark (Espera até Escurecer, 1967), também adaptado para o cinema, estrelado por Audrey Hepburn.
- Hitchcock queria Cary Grant para o papel de Tony Wendice. O próprio Grant assistiu à peça na Broadway e demonstrou interesse. A Warner Bros., porém, recusou-se a pagar o cachê do ator e temeu que o público não aceitasse Grant como um marido que contrata um assassino. Ray Milland foi então escalado — e entregou uma das atuações mais subestimadas de sua carreira.
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Elenco:
| Ray Milland |
Tony Wendice |
| Grace Kelly |
Margot Mary Wendice |
| Robert Cummings |
Mark Halliday |
| John Williams |
Inspetor-Chefe Hubbard |
| Anthony Dawson |
C.A. Swann / Capitão Lesgate |
| Leo Britt |
O Narrador |
| Patrick Allen |
Pearson |
| George Leigh |
|
| George Alderson |
|
| Robin Hughes |
Sargento de Polícia |
| Jack Cunningham |
Personagem secundário |
| Guy Doleman |
Policial |
| Bess Flowers |
Personagem secundária |
| Sam Harris |
Personagem secundário |
| Martin Milner |
Personagem secundário |