Sinopse:
No verão de 1941, numa base militar americana no Havaí, três soldados carregam silêncios que pesam mais do que ordens: um recruta que largou o boxe por um segredo que não pode contar, um sargento que se envolve com a mulher do próprio capitão, e um jovem de coração impulsivo que parece destinado a se autodestruir. Enquanto amores proibidos, lealdades impossíveis e rancores sem saída inflamam os quartéis, uma data se aproxima no calendário — 7 de dezembro de 1941 — que vai varrer tudo o que esses homens e mulheres construíram, perderam e amaram.
Prêmios:
- Venceu o Oscar de 1954 nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor (Fred Zinnemann), Melhor Ator Coadjuvante (Frank Sinatra), Melhor Atriz Coadjuvante (Donna Reed), Melhor Roteiro Adaptado (Daniel Taradash), Melhor Fotografia em Preto e Branco (Burnett Guffey), Melhor Som e Melhor Montagem.
- Indicado ao Oscar de 1954 nas categorias de Melhor Ator (Montgomery Clift), Melhor Ator (Burt Lancaster), Melhor Atriz (Deborah Kerr), Melhor Figurino em Preto e Branco (Jean Louis) e Melhor Trilha Sonora (Morris Stoloff).
- Venceu o Prêmio NYFCC 1953 (New York Film Critics Circle Awards, EUA) nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor (Fred Zinnemann) e Melhor Ator (Burt Lancaster).
- Venceu o Globo de Ouro de 1954 nas categorias de Melhor Diretor (Fred Zinnemann) e Melhor Ator Coadjuvante (Frank Sinatra).
- Venceu o DGA Award (Directors Guild of America) de 1954 na categoria de Melhor Realização Diretorial em Longa-Metragem (Fred Zinnemann).
- Venceu o WGA Award (Writers Guild of America) de 1953 na categoria de Melhor Roteiro Dramático (Daniel Taradash).
- Recebeu o Prêmio Especial de Reconhecimento no Festival de Cannes de 1954, concedido ao diretor Fred Zinnemann.
- Foi indicado ao BAFTA de 1954 na categoria de Melhor Filme.
- Selecionado em 2002 para preservação no National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, por ser considerado cultural, histórica e esteticamente significativo.
Curiosidades:
- Com 13 indicações e 8 prêmios no Oscar de 1954, o filme igualou o recorde histórico de E o Vento Levou (1940), tornando-se o filme mais premiado do cinema americano até então. O feito não era apenas numérico: o New York Times, na crítica de estreia assinada por A.H. Weiler, declarou que o roteiro de Daniel Taradash havia transformado o romance de James Jones em um exemplo brilhante de cinematografia profissional, capturando a essência humana de seu material com integridade e sem sentimentalismo.
- O romance de James Jones, publicado em 1951, era considerado inadaptável para o cinema. Suas 861 páginas traziam linguagem explícita, prostituição, brutalidade militar e adultério — todos temas proibidos pelo Código de Produção de Hollywood (Código Hays), que ainda vigorava com rigor na época. O chefe da Columbia Pictures, Harry Cohn, pagou cerca de 82.000 dólares pelos direitos do livro e comissionou várias versões do roteiro até encontrar uma adaptação que pudesse ser aprovada pelo censor Joseph Breen. Curiosamente, Breen se aposentou em 1954, exatamente o ano em que o filme venceu o Oscar de Melhor Filme.
- O título do filme é retirado do poema Gentlemen-Rankers (1892), de Rudyard Kipling, que descreve soldados britânicos do Império que haviam perdido o rumo e estavam, nas palavras do poeta, condenados daqui até a eternidade — uma epígrafe sombria que resume com precisão o destino dos personagens.
- Frank Sinatra estava em um dos piores momentos de sua carreira quando se candidatou ao papel de Angelo Maggio. Sua trajetória musical minguava, seus contratos haviam sido rescindidos, e o casamento com Ava Gardner estava em colapso. Tão desesperado pelo papel que chegou a oferecer interpretá-lo de graça, Sinatra foi contratado pelo valor simbólico de apenas 8.000 dólares. O Oscar de Melhor Ator Coadjuvante que recebeu pelo papel redefiniu completamente seu status em Hollywood — foi, literalmente, o maior comeback da história da indústria.
- A lenda mais famosa em torno do filme é que Sinatra teria obtido o papel graças a conexões com a máfia, que teria intimidado o estúdio. Mario Puzo se inspirou nessa história ao escrever O Poderoso Chefão (1969), criando o célebre personagem Johnny Fontane e a cena da cabeça do cavalo. O diretor Fred Zinnemann, porém, categorizou a história como pura invenção poética de Puzo, afirmando: a lenda da cabeça de cavalo cortada é ficção. A versão mais aceita pelos envolvidos é que Ava Gardner, então esposa de Sinatra, convenceu a esposa de Harry Cohn a influenciar o marido na decisão.
- O papel de Maggio havia sido aceito por Eli Wallach, que posteriormente abriu mão da vaga para cumprir um compromisso anterior com Elia Kazan na peça Camino Real, de Tennessee Williams, na Broadway. Wallach declarou que se viu apaixonado por dois projetos ao mesmo tempo e precisou escolher — e escolheu o teatro. Décadas depois, ele afirmou não ter arrependimentos, embora reconhecesse que a decisão entregou a Sinatra o papel que salvou sua carreira.
- Joan Crawford foi originalmente escalada para o papel de Karen Holmes, mas foi dispensada pelo estúdio depois de exigir que suas cenas fossem filmadas exclusivamente por seu próprio câmera pessoal. Diante da recusa, o diretor Fred Zinnemann aproveitou a situação para escalar Deborah Kerr, que lutava contra o estereótipo de dama comportada imposto pela indústria. A ousadia funcionou: Kerr recebeu uma indicação ao Oscar e a personagem se tornou um dos papéis mais lembrados de sua carreira.
- O chefe do estúdio Harry Cohn resistiu ativamente à escalação de Montgomery Clift para o papel de Prewitt, argumentando que ele não era soldado, nem boxeador, e provavelmente era homossexual. Fred Zinnemann recusou-se a fazer o filme sem Clift. O diretor mais tarde diria sobre o ator: Clift forçou os outros atores a serem muito melhores do que realmente eram. É a única forma que consigo explicar. Ele extraiu dos outros cenas e reações totalmente genuínas.
- A cena mais famosa do filme — Burt Lancaster e Deborah Kerr beijando-se com as ondas do mar quebrando sobre os dois — não estava no roteiro original. Foi uma inspiração de última hora do diretor Fred Zinnemann durante as filmagens, e o ângulo da câmera e a localização na praia foram decididos no momento. A cena tornou-se um dos beijos mais icônicos da história do cinema e um símbolo duradouro do romance clássico de Hollywood.
- Montgomery Clift preparou-se de forma meticulosa para o papel: aprendeu a tocar corneta para a cena do solo, mesmo sabendo que seria dublado no produto final, e treinou boxe intensamente. Sua entrega impressionou tanto o elenco quanto a equipe. Clift e Frank Sinatra se tornaram amigos íntimos durante as filmagens, assim como o autor James Jones — os três embarcaram juntos em memoráveis sessões de bebedeira que se tornaram lendárias nos bastidores da produção.
- O diretor Fred Zinnemann insistiu em filmar em preto e branco, rejeitando pressões do estúdio para usar cores — que seriam mais comerciais. Sua decisão foi deliberada: o preto e branco era, para ele, a linguagem visual adequada para retratar a seriedade e a dureza dos temas abordados. A escolha rendeu ao diretor de fotografia Burnett Guffey o Oscar de Melhor Fotografia em Preto e Branco.
- O lançamento do filme, em 5 de agosto de 1953 no Capitol Theater de Nova York, foi um evento extraordinário. Marlene Dietrich ligou para Fred Zinnemann à meia-noite para informar que as filas eram tão longas que a administração do cinema havia precisado adicionar uma sessão especial à 1h da manhã. O filme tornou-se o segundo maior sucesso de bilheteria de 1953, arrecadando 12,2 milhões de dólares, ficando atrás apenas de O Manto Sagrado
- Décadas após o lançamento, a crítica mais influente de sua geração, Pauline Kael, definiu o filme como o filme do seu ano — e não apenas porque varreu o Oscar, mas porque trouxe novas atitudes para as telas que tocaram um nervo social. O American Film Institute (AFI) reconheceu o filme entre os 100 maiores filmes americanos de todos os tempos em sua lista de 1998, e o inclui também em sua lista dos grandes romances do cinema.
- Durante as filmagens, Frank Sinatra vivia uma crise pessoal profunda: a relação com Ava Gardner estava em dissolução e o pressionava psicologicamente a ponto de, em determinada noite, ele anunciar a Montgomery Clift que pretendia se matar. O papel de Maggio — um homem frágil, apaixonado e à beira do colapso — era, por coincidência ou não, espelhado nas próprias circunstâncias pessoais do ator.
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Elenco:
| Burt Lancaster |
1º Sgt. Milton Warden |
| Montgomery Clift |
Robert E. Lee Prewitt |
| Deborah Kerr |
Karen Holmes |
| Donna Reed |
Alma Burke / Lorene |
| Frank Sinatra |
Angelo Maggio |
| Philip Ober |
Capitão Dana Holmes |
| Ernest Borgnine |
Sgt. Fatso Judson |
| Mickey Shaughnessy |
Sgt. Leva |
| Harry Bellaver |
Mazzioli |
| Jack Warden |
Cabo Buckley |
| John Dennis |
Sgt. Ike Galovitch |
| Merle Travis |
Sal Anderson |
| Tim Ryan |
Sgt. Pete Karelsen |
| Barbara Morrison |
Sra. Kipfer |
| Claude Akins |
Sgt. Baldy Dhom |
| George Reeves |
Sgt. Maylon Stark |
| Don Dubbins |
Friday Clark |
| Arthur Keegan |
Treadwell |