Donna Belle Mullenger
Nascimento: 27 de janeiro de 1921
Falecimento: 14 de janeiro de 1986
Origem: Denison, Iowa, EUA
Donna Belle Mullenger nasceu em 27 de janeiro de 1921 em Denison, Iowa, filha mais velha de cinco irmãos numa família de agricultores metodistas. Desde cedo destacava-se pela beleza e determinação: venceu um concurso local antes de partir sozinha de trem para Los Angeles aos 17 anos, aconselhada por uma tia, com o sonho de ser atriz. Matriculada no Los Angeles City College, foi eleita rainha do campus — e as fotos publicadas nos jornais chamaram a atenção de olheiros da MGM. Mesmo assediada pelo estúdio, insistiu em concluir os estudos antes de assinar qualquer contrato. Em 1941, após firmar acordo com a MGM, estreou nas telas em três filmes no mesmo ano, incluindo A Sombra do Homem Ânsia (Shadow of the Thin Man), ao lado de William Powell e Myrna Loy. Era o início de uma das carreiras mais versáteis de Hollywood.
Ao longo dos anos 1940, Donna Reed consolidou sua imagem como a moça americana ideal — simpática, honesta, irresistível em sua normalidade. Atuou em filmes ao lado de Lionel Barrymore, Mickey Rooney, John Wayne e Clark Gable, mas foi ao lado de James Stewart que registrou sua performance mais duradoura: em A Felicidade Não se Compra (It's a Wonderful Life, 1946), de Frank Capra, interpretou Mary Hatch Bailey, a esposa amorosa e leal que ancora a vida do protagonista. O filme foi um fracasso comercial no lançamento e quase encerrou a carreira de Capra — mas, ao ser reapresentado décadas depois, transformou-se no clássico natalino mais assistido da história americana. A filha de Reed, Mary Owen, refletiu sobre o fenômeno: não existe nenhum outro filme de 75, 80 anos que as pessoas ainda assistam com tanta paixão, intensidade e amor. Gerações inteiras foram apresentadas a ele em família, e cada um tem uma história para contar.
A grande reviravolta na trajetória de Donna Reed veio em 1953, quando Fred Zinnemann a escalou para A Um Passo da Eternidade (From Here to Eternity). Completamente contra o estereótipo que a definia, ela interpretou Alma Burke, conhecida como Lorene — uma dançarina de salão com um passado que não conta, apaixonada por um soldado sem futuro. A coragem de aceitar o papel e a profundidade com que o construiu renderam-lhe o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O biógrafo Jay Fultz descreveu sua essência com precisão: Donna era inteligente, mas não agressiva; sexy, mas sem ser fatal; forte, mas sem abrir mão da feminilidade. O próprio contraste entre a protagonista de A Felicidade Não se Compra e a heroína de A Um Passo da Eternidade revelou a amplitude de uma atriz que a indústria insistia em subestimar. Ela certa vez resumiu com ironia sua relação com Hollywood: em quarenta filmes que fiz, o que me lembro é sempre a mesma pergunta: que tipo de sutiã você vai usar hoje, querida? Era sempre a grande decisão — do pescoço para o abdome.
A partir de 1958, Donna Reed adentrou a televisão e encontrou seu terceiro grande momento: The Donna Reed Show, série da ABC que foi ao ar por oito temporadas e 275 episódios. No papel de Donna Stone, mãe e esposa de um médico pediatra, ela construiu uma personagem mais assertiva e inteligente do que qualquer outra mãe televisionada da época — enquanto, nos bastidores, exercia as funções de produtora e diretora não creditada, tendo estudado iluminação e cinematografia por conta própria em uma era em que mulheres raramente ocupavam essas funções. A série lhe rendeu quatro indicações ao Emmy e o Globo de Ouro de Melhor Estrela de TV em 1963. Quando o show foi cancelado em 1966, Reed simplesmente sumiu das telas por treze anos — não por falta de convites, mas por escolha deliberada: passou a se dedicar à família, a viagens, à fotografia e, sobretudo, ao ativismo. Em 1967, cofundou a organização Another Mother for Peace, movimento de protesto contra a Guerra do Vietnã, tornando-se uma das vozes mais ativas pelo desarmamento nuclear. Em 2003, a família descobriu em sua casa em Beverly Hills mais de trezentas cartas de soldados americanos da Segunda Guerra Mundial que ela havia guardado — testemunho silencioso do papel que desempenhou como símbolo do lar para uma geração em combate. Quando retornou à televisão em 1984 para substituir Barbara Bel Geddes na série Dallas, acabou demitida abruptamente quando a atriz original quis voltar. Reed processou a produtora por quebra de contrato e obteve uma indenização de aproximadamente um milhão de dólares. Meses depois, em dezembro de 1985, foi diagnosticada com câncer pancreático em estágio terminal. Faleceu em 14 de janeiro de 1986, em Beverly Hills, treze dias antes de completar 65 anos. Deixou seu Oscar para sua cidade natal de Denison, onde é exposto até hoje. Em sua memória, foi criada a Donna Reed Foundation for the Performing Arts, que concede bolsas a estudantes e realiza um festival anual de artes cênicas — provando que, mesmo décadas após sua morte, a menina da fazenda de Iowa ainda inspira os que sonham com o palco.